Serra do Amolar registra cheia em pleno período de risco de queimadas
Chuvas intensas registradas na Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com a Bolívia, transformaram a paisagem da região nos últimos dias. O cenário de cheia chama atenção justamente em um período do ano em que o avanço das queimadas costuma ganhar força.
Imagens registradas na última segunda-feira (5) pelo presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Angelo Rabelo, mostram a quantidade de água acumulada na região. “Enfrentamos felizes mais de 5 horas de água, oriunda das fortes chuvas, para chegar ao Amolar”, relatou o ambientalista.
A Serra do Amolar está localizada na região noroeste do Pantanal sul-mato-grossense, na área de Corumbá, próxima à divisa com Mato Grosso e à fronteira com a Bolívia. Historicamente, outubro é um dos meses de maior preocupação com incêndios florestais na região. Neste ano, porém, a sequência de chuvas tem alterado o cenário esperado para o período.
Segundo Rabelo, as precipitações têm ocorrido de forma mais intensa do que o previsto em algumas projeções climáticas acompanhadas pelas equipes que atuam na proteção do território. “Diferentemente de todas as previsões oriundas do El Niño, chuvas intensas estão demarcando o território. Estamos atentos a todas as análises climáticas e confesso que oramos para que não nos surpreendam”, afirmou.
Apesar do volume de água registrado, o Instituto Homem Pantaneiro mantém equipes preparadas para uma eventual mudança nas condições climáticas e para o risco de incêndios. “Estamos prontos para enfrentar o fogo, mas contemplamos, comemorando cada gota”, completou Rabelo.
A Serra do Amolar é considerada uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do Pantanal e já enfrentou grandes incêndios em períodos anteriores de seca prolongada.
Com vegetação típica do bioma e áreas de difícil acesso, o território exige monitoramento constante durante os meses mais secos do ano, principalmente quando há combinação de altas temperaturas, baixa umidade e redução do nível das águas.
Neste início de outubro, no entanto, a presença das chuvas tem produzido um cenário diferente, com áreas alagadas e aumento temporário da disponibilidade de água em pontos da região. Mesmo diante da mudança, organizações ambientais seguem acompanhando as condições meteorológicas e o comportamento do território ao longo das próximas semanas.
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