Comitê de Combate às Arboviroses apresenta método Wolbachia como nova estratégia
O Comitê de Combate às Arboviroses de Corumbá se reuniu nesta quarta-feira (23), no auditório do Paço Municipal, para apresentar e discutir os resultados das ações de enfrentamento à dengue, zika e chikungunya e apresentar o método Wolbachia, uma estratégia complementar que está sendo implantada no município para ampliar o controle das arboviroses.
A tecnologia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia. A presença da bactéria reduz a capacidade de o mosquito transmitir os vírus responsáveis pela dengue, zika e chikungunya.
A Wolbachia é encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos, como abelhas e libélulas. O método não envolve modificação genética e a bactéria não oferece risco à saúde humana. No mosquito, ela dificulta o desenvolvimento dos vírus causadores das principais arboviroses urbanas.
A tecnologia é considerada autossustentável porque, uma vez estabelecida na população de mosquitos, a Wolbachia é transmitida aos descendentes por meio da reprodução.
A estratégia já foi implementada em diferentes países e vem sendo utilizada no Brasil há mais de uma década. Em Niterói (RJ), estudos associados à implantação do método registraram redução de 89% nos casos de dengue. Em Campo Grande (MS), resultados iniciais apontaram redução de 63% nos casos de dengue após a implantação da tecnologia.
Nova aliada no combate às arboviroses
A secretária municipal de Saúde destacou que a chegada da tecnologia representa um novo aliado para o município, que enfrenta historicamente períodos de aumento de casos de dengue e, mais recentemente, também registrou circulação significativa do vírus chikungunya.
“Será uma estratégia muito importante para Corumbá, porque todos sabem que sofremos todos os anos principalmente com a dengue e, recentemente, tivemos muitos casos de chikungunya. O método será um novo aliado nesse combate, mas, para isso, precisamos muito da conscientização da população, de entender a tecnologia e apoiar as solturas”, afirmou.
Para a gerente de Vigilância em Saúde, Walkíria Arruda da Silva, a implantação representa uma mudança na forma de enfrentar o vetor.
“O que antes era um vetor de doença, agora passa a ser um aliado da saúde pública. Já capacitamos os agentes de endemias, porque existe uma metodologia muito robusta de monitoramento, e estamos adaptando o CCZ para receber os materiais”, explicou.
Soltura começa em outubro
A previsão é de que a soltura dos mosquitos com Wolbachia comece em outubro. Nesta primeira etapa, estão previstos bairros de diferentes regiões de Corumbá: Nossa Senhora de Fátima, Universitário, Centro América, Popular Velha, Arthur Marinho, Jardim dos Estados, Popular Nova, Aeroporto, Nova Corumbá, Maria Leite e Guarani.
A liberação será gradual e monitorada. O cronograma prevê atividades durante aproximadamente 26 semanas, ou seis meses. As solturas serão realizadas uma vez por semana, no período da manhã, com veículos circulando pelas ruas das áreas selecionadas.
Monitoramento durante e após as liberações
Paralelamente à soltura, será realizado o monitoramento da presença da Wolbachia no ambiente. A previsão é de que essa etapa comece aproximadamente um mês após o início das liberações e continue após o encerramento da fase de soltura, com nove ciclos de coleta.
Para o acompanhamento, serão utilizadas ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos de mosquitos. O material coletado será analisado para verificar a presença e o estabelecimento da Wolbachia na população de Aedes aegypti.
A implantação também prevê a criação de um núcleo de eclosão no município. No local, as cápsulas contendo ovos de mosquitos serão preparadas para a eclosão e passarão pelo ciclo natural de desenvolvimento até a fase adulta. Depois dessa preparação, os mosquitos serão transportados para os bairros selecionados para a liberação.
Participação da comunidade
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a implantação do método Wolbachia é uma estratégia complementar às demais ações de controle das arboviroses. A eliminação de criadouros e a prevenção da proliferação do Aedes aegypti continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão das doenças.
A reunião do Comitê contou com representantes da Unicesumar, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Marinha do Brasil, além de profissionais envolvidos nas ações de vigilância e controle das arboviroses no município.
Assessoria de Comunicação!


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