Netinho de Paula denunciou em suas redes sociais um caso de racismo envolvendo o neto dele, de 16 anos, que estuda em uma escola em Santana de Parnaíba, em São Paulo. Além disso, o cantor associou a decisão de tornar o episódio público ao papel dele como avô e ativista racial.
“Meu nome é José de Paula Neto, conhecido como Netinho de Paula. Cantor, apresentador, político e, acima de tudo, um ativista racial que há décadas luta contra o racismo estrutural neste país”, escreveu. Além disso, Netinho afirmou que o adolescente sofreu ataques em uma rede social, com mensagens e uma figurinha compartilhada por uma colega de escola.
O cantor classificou o caso como “racismo recreativo”. “[Meu neto] foi covardemente atacado por uma colega de escola em uma rede social. Pode parecer ‘brincadeira’ para alguns. Mas, para nós, que conhecemos o peso da cor da pele nesta sociedade, isso é racismo recreativo”.
“É a perpetuação de um estereótipo que desumaniza, ridiculariza e fere a alma de um menino que, assim como tantos outros, é fruto de um relacionamento inter-racial e carrega em si a beleza e a força da cultura negra”, afirmou. Em seguida, Netinho publicou prints das mensagens nas redes sociais.
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Além disso, ele exibiu uma figurinha que mostra uma mulher em um exame de ultrassom, com a imagem no monitor que não aparece como um bebê, mas sim como algo semelhante a um animal. Abaixo, o conteúdo traz a frase: “O [nome do adolescente] nasceu!”.
Netinho cobra a escola
Além disso, o cantor afirmou que o neto ficou abalado com a exposição e também com a ausência de retorno da instituição de ensino. “Está triste, desmotivado e se sentindo exposto. E não é para menos. Em um colégio onde existem pouquíssimos alunos negros, o silêncio da escola e a omissão da sociedade pesam ainda mais”, declarou.
Além disso, Netinho cobrou medidas formais da direção da escola. Ele exigiu registro do caso e providências institucionais. “Não basta um comunicado interno. Exijo uma postura firme e pública. [Ele] deve ser acolhido psicologicamente e o caso deve ser registrado formalmente na ata da escola”.
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“A aluna agressora e seus responsáveis devem ser notificados. O crime de racismo é inafiançável e imprescritível. Comuniquem imediatamente os órgãos competentes para apuração dos fatos”, pediu. Além disso, o cantor defendeu ações contínuas de educação antirracista dentro do ambiente escolar.
“Não adianta apenas punir. É preciso educar. Exijo a implementação imediata de um projeto antirracista permanente, com valorização da cultura afro-brasileira e a capacitação de todos os professores”, escreveu.
Secretaria Municipal de Educação se pronuncia
A Secretaria Municipal de Educação de Santana de Parnaíba e a direção do Colégio Tom Jobim, em nota enviada ao UOL, afirmaram que o episódio aconteceu em um grupo privado de mensagens, fora do ambiente e do horário escolar. Além disso, a nota destacou que o caso não ocorreu em canal institucional da escola.
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Ainda segundo a secretaria, a equipe acionou os responsáveis pelos estudantes após tomar conhecimento do conteúdo. Além disso, o comunicado informou que a aluna citada recebeu “medidas educativas” com foco em reflexão sobre a gravidade do episódio. A instituição também classificou a situação como “lamentável” e afirmou que repudia a conduta.
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