Pesquisador explica que as condições geológicas do território - planície alagada - possuem condições favoráveis à adaptação destes e tantos outros animais, os quais são considerados símbolos desta região.
Os
150.355 quilômetros quadrados de extensão rendem ao Pantanal o título de maior
planície alagável do mundo. Com esse tamanho todo, rios e uma flora rica em
diversidade, o Patrimônio Natural da Humanidade reúne animais das mais
diferentes espécies.
Alguns
deles são considerados símbolos do bioma, 'brilham' aos olhos, sendo
fundamentais para a manutenção da cadeia alimentar do bioma e também para a
economia da região, pois turistas do mundo todo vão em busca de conexão com a
natureza e belos registros.
"A
relação desta fauna com o ser humano, no Pantanal, é bastante amigável",
fala o pesquisador do Laboratório de Vida Selvagem da Emprapa Pantanal,
Walfrido Moraes Tomas.
Conforme
Walfrido, entre tantos bichos que têm no Pantanal o habitat natural, podemos
listar ao menos seis como símbolos e, cada um deles, por razões específicas. Em
comum, com exceção, das araras, a importância de áreas inundáveis para a
sobrevivência.
"Todos
se beneficiam das paisagens diversificadas do Pantanal, mas o que mais os
caracteriza como grupo é o fato do Pantanal ser uma das áreas mais importantes
para sua conservação", resume o pesquisador.
De
acordo com ele, não existe estudo sobre a quantidade ou tamanho da população
destes animais. O que se sabe, é que muitos morreram em incêndios ocorridos nos
últimos anos na região.
"Houveram
onças-pintadas que morreram ou ficaram feridas, ninhos de tuiuiús destruídos
por fogo, cervos mortos pelo fogo, muitos jacarés morreram (estimamos em mais
de 85 mil jacarés mortos diretamente pelo fogo em 2020), mas isso não permite
estimar o impacto nas populações, porque estas não são conhecidas em seu
tamanho com a precisão necessária, ou são mesmo desconhecidas". diz
Walfrido.
O tamanho
impressiona. As cores, amarela e preta, parecem uma pintura. A ferocidade amedronta.
E a combinação disso tudo atrai olhares de gente de todo o mundo. Estudos
apontam que o Brasil detém cerca de 50% das onças-pintadas de todo o mundo —
mais de 90% delas estão na América do Sul.
Avistar
esse felino é o auge do passeio de quem vai ao Pantanal. O animal também é
estudado e alguns até monitorados eletronicamente por pesquisadores. Em
Miranda, por exemplo, há projeto específico sobre o comportamento deste animal,
o Onçafari. Há ainda outras iniciativas como: Onças do Rio Negro, e no Mato
Grosso, a ONG Panthera e o ICMBio.
"O Pantanal abriga uma das
mais importantes populações da espécie, e aqui é o lugar onde é mais fácil
observá-las", explica Walfrido.
De acordo com o pesquisador,
mesmo sendo um animal essencialmente terrestre, a onça-pintada está muito
associada à água.
"Caça muito animais
aquáticos ou que vivem em ambientes inundáveis, como jacarés, capivaras,
cervos, etc", explica Walfrido.
"É
considerado a ave símbolo do Pantanal porque sua população é abundante. É uma
espécie dependente de áreas alagadas e, portanto, simboliza muito bem o
Pantanal".
A ave de pescoço preto com
detalhe vermelho, corpo branco e patas finas, se destaca no céu e nas águas
pantaneiras. São muitos 'pra lá e pra cá' e é fácil de vê-los quando se vai ao Pantanal
por via terrestre.
E não é só no ar que se vê
estas aves. Elas se alimentam de pequenos peixes e está sempre nos rios, à
caça. Na maioria das vezes estão em casais, mas podem se reunir em grupos.
"É
uma espécie dependente de rios e lagos, facilmente observada no Pantanal. A
região abriga uma das mais importantes populações desta espécie, que é
considerada ameaçada de extinção".
As ariranhas são excelentes
predadores de peixes e são considerada as 'onças das águas'. Também conhecidas
como lontras gigantes, podem medir até 1.80 m e são animais com hábitos diurnos
e típicos de água doce. Estão sempre em grupos cuidando do seu território.
Além das tocas, a ariranha
também constrói latrinas, onde faz as suas necessidades fisiológicas, e também
campsides, que são áreas construídas em regiões sombreadas e próximos a áreas
de alimentação, servindo para descanso e demarcação de território.
"É
uma das espécies mais facilmente observadas no Pantanal, onde está a maior
população. E também é um atrativo turístico importante".
O Projeto Arara Azul acompanha
a população destas aves no bioma, através de pesquisas e monitoramento de
ninhos naturais e artificiais. Quem quiser, pode apoiar os trabalhos, através da adoção.
"É
uma espécie ameaçada de extinção totalmente dependente de áreas inundáveis. O
Pantanal abriga a maior população conhecida. Também é um atrativo turístico
relevante".
O cervo-do-pantanal pode pesar
até 130 quilos e medir mais de dois metros de comprimento. A família Cervidae,
representada por cervos e veados, é única ruminante nativa existente no Brasil.
"São
muito abundantes no Pantanal e estão associados com rios, corixos, lagoas, e
lagos e brejos. São quase onipresentes e constituem uma marca importante do
Pantanal".
Apesar de muitos, tem se
observado uma redução nesta população por conta de uma triste realidade em
relação a estes répteis: a caça ilegal para obtenção de carne.
"Tem aumentado
consideravelmente no Pantanal, especialmente próximo a cidades, o que fica
evidente pelo número de carcaças de jacaré encontradas boiando em rios e
lagoas, ou jogadas no mato, sempre sem a cauda. Isso identifica uma caça ilegal
para obtenção de carne", fala o pesquisador.
Série Pantanal
A estreia da novela
Pantanal nesta semana está apresentando a todo o país a beleza e a exuberância
da fauna e flora do bioma. Mas também despertou a curiosidade em relação ao
modo de vida, gastronomia, animais e lendas. O g1 preparou uma série de
matérias especiais sobre esses assuntos.
Por Nadyenka Castro, g1 ms
