Análise: Grêmio paga caro na escolha por Cariacica e discurso desanimado de Renato assusta
SOBRE O EVENTO
brasil Início: 17/06/2024 12:40
Fim: 20/06/2024 16:40
Torcida gremista foi a minoria no Kleber Andrade. Tricolor sofreu a quarta derrota seguida e entrou na zona do rebaixamento. Manifestação do treinador no pós-jogo gera preocupação
O Grêmio coleciona erros no Campeonato Brasileiro. O sistema defensivo insiste em vazar e o ataque continua ineficiente. Mas há outro elemento que fez a diferença na derrota por 2 a 1 para o Botafogo: o fator local. O mando era gaúcho, mas a torcida era carioca. O revés em Cariacica empurrou o Tricolor para a zona do rebaixamento. No pós-jogo, o discurso de Renato preocupou e não deu esperança alguma de melhora para o decorrer do primeiro turno.
Os desfalques - lesões, suspensões e convocações - e as dificuldades que a delegação enfrenta com logística já não são novidades. O resultado, infelizmente, também não. O time gaúcho sofre com o desgaste, ingressa no Z-4, com a mesma pontuação do lanterna, e vê o sinal de alerta ligado.
Parecia até que o jogo contra o Botafogo era no Rio de Janeiro. O Grêmio era o mandante, mas o estádio Kleber Andrade, no Espírito Santo, estava tomado por botafoguenses, capazes de fazer um mosaico do Alvinegro na entrada dos jogadores em campo.
Quando a partida iniciou, vaias ecoavam das arquibancadas quando os jogadores gremistas tocavam na bola. Apesar do acordo entre os clubes pelos confrontos em campo neutro, o começo de jogo já indicava que a decisão por Cariacica beneficiaria o líder do campeonato.
– Se jogássemos em outro lugar, continuaríamos fora de casa e o segundo turno seria na grama sintética do Botafogo. Temos que ver as coisas ali na frente. A melhor decisão foi essa. Para no returno jogar em Brasília e não no Rio de Janeiro, no sintético – justificou Renato.
O time foi a campo com sete alterações em relação ao jogo anterior. Não demorou para a defesa vacilar na marcação. Logo com nove minutos, Cuiabano avançou nas costas de Fábio e bateu na saída de Caíque. O gol parece ter despertado a equipe, que começou a trocar passes e jogar no campo rival.
A pressão surtiu efeito minutos depois. Gustavo Nunes, o melhor do Grêmio no jogo, empatou a partida. O time criou chances, mas também cedeu espaços generosos. Cenário parecido com a rodada anterior, quando perdeu por 2 a 1 para o Flamengo no Maracanã.
Já no segundo tempo, o bote errado de Geromel escancarou a falta de ritmo de jogo do zagueiro. Júnior Santos não perdoou. Gustavo Martins e Cristaldo quase empataram de cabeça. A coleção de erros - o pouco entrosamento, o desgaste, os erros atrás, os gols perdidos - impediu o empate.
Problemas que se repetem no Grêmio, resultantes de uma programação itinerante, mas também de um elenco insuficiente para encarar o calendário do futebol brasileiro. Obrigado a adotar o rodízio, Renato não consegue manter o padrão de jogo do time titular.
Por João Victor Teixeira — Porto Alegre