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Caso William: Cruzeiro detalha contestação de punição na Fifa e prepara recurso à Corte Arbitral do Esporte

SOBRE O EVENTO

brasil
Início: 03/09/2020 19:50
Fim: 04/09/2020 22:50
Clube diz que proibição para registro de novos jogadores é uma "injustiça" e dá argumentos para explicar sua defesa Ativo no mercado em busca de reforços para a Série B, o Cruzeiro teve um duro golpe ao ser punido pela Fifa com a proibição do registro de jogadores por conta de uma dívida com Zorya, pela compra do atacante William, em 2014. Nesta quinta-feira, o advogado Flávio Boson, responsável pelo departamento jurídico do clube celeste, concedeu uma entrevista coletiva virtual para explicar a situação. No mês passado, o Cruzeiro informou ter feito um acordo com os ucranianos pelo parcelamento da dívida, num valor pouco superior a 1,1 milhão de euros. Nesta semana, no entanto, houve a punição da Fifa, que foi recebida pelo clube como “infeliz surpresa”. Na entrevista coletiva, Boson explicou que o Alik Football Manegement, empresa de intermediação no futebol da Estônia, entrou em contato com o Cruzeiro avisando que era proprietário da cessão de crédito pela dívida do clube brasileiro com o Zorya. O Alik, a partir de então, passou a negociar com o Cruzeiro a formatação do pagamento. Feito isso, partiu para a formalização do acordo. Segundo Boson, houve a exigência de que o Zorya formalizasse, por e-mail, que o Alik tinha direito ao crédito e que os ucranianos assinassem o acordo como parte interessada. As duas coisas foram feitas, segundo o dirigente cruzeirense, que mostrou o e-mail recebido pelo Zorya, com assinatura e carimbo do clube, por meio do sistema da própria Fifa: - O Cruzeiro foi procurado algum tempo antes do vencimento da segunda e da terceira dívidas, porque eram três processos. (...) Ele foi procurado por um representante brasileiro, uma empresa, Alik Manegement, que teria recebido crédito cedido pelo Zorya. Essa pessoa é o doutor Marcelo Amorete, advogado, do Rio Grande do Sul, filho do ex-presidente do Internacional. (...) Negociamos, chegamos a um termo, que seria um desconto e um parcelamento do valor devido. (...) Então, pedi que fosse feito, pelos canais oficiais do Zorya, a confirmação dessa cessão de créditos. E isso foi feito no dia 19 de agosto deste ano, em e-mail enviado pelo canal oficial do Zorya. Ou seja, aquele e-mail do Zorya é cadastrado no sistema Fifa TMS. É um sistema que não é qualquer e-mail que alguém pode enviar. Não é e-mail particular do diretor ou de alguém da Ucrânia, é um e-mail cadastrado pelo Zorya no sistema Fifa TMS. O e-mail foi endereçado à presidência do Cruzeiro, ao advogado Bichara Neto (representante do Zorya no Brasil) e a um outro ucraniano, não identificado por Boson, mas que na carta endereçada pelo Cruzeiro à Fifa é identificado como "S. Oganov". No entanto, os ucranianos foram à Fifa - em 26 de agosto e cinco dias após a notificação ao Cruzeiro - alegando desconhecimento sobre o acordo, com a afirmação de que a assinatura e carimbo presentes no documento são falsos. Boson contesta, afirmando, inclusive, que há um sistema da Fifa, o qual somente permite o envio de e-mails por endereços que passam por um criterioso processo de cadastramento. O advogado alega estranheza com o fato de os ucranianos não terem alegado, em momento algum, que teriam sido hackeados. “Infelizmente, e ao meu juízo em ato muito estranho – para não falar coisa pior -, o Zorya disse que o documento é falso. Até me pergunto, por mais absurdo que seja e que eu não acredite: o carimbo pode ser falsificado? Pode. A assinatura pode? Até acho que pode. Mas, e o e-mail? Ele eu divido” - Ele não diz que o e-mail foi hackeado. O mesmo endereço de e-mail é o que o Zorya usa para enviar à Fifa para dizer que os documentos teriam sido falsificados. É o e-mail cadastrado no sistema Fifa TMS, não é particular, de dirigente. É um e-mail que eu presumo a sua segurança e validade, senão está em xeque todo o sistema arbitral da Fifa. (...) O sistema é seguro? O e-mail oficial do Zorya, cadastrado no sistema Fifa TML, foi hackeado? Essas são as perguntas que precisam ser respondidas, e não pelo Cruzeiro. O Cruzeiro não tem como responder. O Cruzeiro se resguardou de todas as formas. Flávio Boson também disse que tem plena convicção de que o clube seguiu todos os passos que deveria seguir durante o processo e que só não efetuou o pagamento do valor devido por aguardar uma homologação do acordo por parte da Fifa. - O Cruzeiro não pagou, até agora, ninguém, porque espera a confirmação das negociações. O Cruzeiro confiou no sistema Fifa TMS, confiou no e-mail enviado pelo Zorya, e o meu e-mail está à disposição. O Cruzeiro confiou nos advogados envolvidos, e continua confiando no doutor Marcelo Amorete e no doutor Breno Tannuri, e tem plena convicção de que os procedimentos foram todos corretos. E agora? Diante desta situação, o Cruzeiro tem se mexido nos bastidores para tentar derrubar a proibição da Fifa. A contestação da defesa celeste, comandada por Breno Tannuri, se baseia no fato de que não há uma confirmação sobre a falsificação dos documentos. Boson explica que não há um prazo regulamentado para que a entidade decida se o clube seguirá ou não punido “O juiz tem o prazo que achar conveniente e, neste caso, a Fifa age como juiz” Na defesa enviada pelo Cruzeiro à Fifa, contestando a punição, o clube alega que está sendo prejudicado por um injustiça e que, se não há confirmação da falsificação, o ideal é que a punição seja retirada e um processo para verificação seja instaurado. - Formulamos uma petição subscrita pelo doutor Tannuri, foi um pedido de reconsideração: “Fifa, olhe bem o que você está chancelando, porque tudo aconteceu pelo seu e-mail oficial, pelo seu canal oficial. Está tudo seguindo seus procedimentos, os advogados estavam cientes. A cessão de crédito, como as leis suíça e brasileira regulam, é algo absolutamente legal e permitido”. “A manutenção da punição prejudica o Cruzeiro e petrifica uma injustiça. Qualquer pessoa que entende a história se indigna com a injustiça. Se há dúvida, então vamos tirar a punição e instaurar uma investigação para decidir” Flávio Boson também disse que espera uma resposta do Zorya sobre o que ocorreu com o e-mail dele e reiterou que o que está ocorrendo com o Cruzeiro é uma injustiça. Segundo ele, se a apelação celeste não for ouvida ou se demorar a ter uma resposta, o clube está pronto para dar entrada com recurso na Corte Arbitral do Esporte. - Eu espero que o Zorya me diga o que aconteceu com e-mail dele. Alguém e entrou no e-mail dele e entrou? Ele também não falou nada sobre isso. Nós chamamos a Fifa à responsabilidade, no sentido de: “Fifa, repense bem sua ideia de punir o Cruzeiro, porque está caminhando para uma injustiça”. Não há prazo para tanto, mas claro que isso se arrastar por um momento que não seja razoável, o doutor Tannuri está com recurso pronto para acionar a Corte Arbitral do Esporte. E qual é o prazo razoável para receber uma resposta? Boson acredita que isso seja algo subjetivo, mas espera que haja uma decisão da Fifa em até 15 dias. A decisão final de acionar a Corte Arbitral será do presidente Sérgio Santos Rodrigues. - Não é uma decisão só minha, é uma decisão mais do Sérgio. Se fosse depender do futebol, seria ontem. Se fosse depender de mim, que espera resolver, quem sabe, da forma menos conflituosa possível, poderia ser até um mês. Se depender do Tannuri, menos. Aí, a decisão final é do presidente Sérgio, depois de ouvir todos os atores. (...) A gente não pode esperar muito, porque até para a imagem do Cruzeiro é muito ruim que isso perdure por um prazo que não seja tolerável. Espero que venha uma decisão logo. A gente apresentou a petição de acordo no dia 20, e tivemos, duas semanas depois, uma decisão da Fifa. Eu acredito que num aspecto menor, a gente pode esperar que a Fifa tome uma decisão em um prazo igual. Por Redação do ge